A QUE NÃO VEM

Hoje vive, dentro de mim,
a serenidade dos vales quietos,
das montanhas adormecidas
e dos longos desertos de miragens.

Esta beleza efêmera
                das cidades metálicas,
que os teus olhos admiram, num encantamento,
não se compara nunca, minha amiga,
à beleza espiritual e perfeita
que acende estrelas de ouro
               no infinito do meu ser.

Ah! se os teus olhos vissem
como hoje dorme tranqüilo o meu coração
dentro deste mundo transcendente e iluminado,
aberto, como um céu, dentro de mim.
Contemplando a minha vida subjetiva,
havias de pensar
               que nem todos os homens são assim..

Um dia, bêbedo de emoção,
eu te mostrei um pouco
               deste encantado mundo interior.
As tuas mãos ficaram frias.
O teu corpo ficou trêmulo.
E os teus olhos me fitaram,
               numa adoração.

Foi o instante mais lindo de toda a minha vida!
Mas tinhas os olhos e os ouvidos profanos,
como todas as outras
               que passaram no meu caminho...

Não pude unir nossos destinos diferentes...
Depois, partiste sem conhecer, ao menos,
a divina melodia do meu Amor.

E eu continuo esperando ainda
aquela que não vem...