CASA ABANDONADA

Leio o letreiro: - Aluga-se esta casa.
E ela viveu, aqui, risonha e bela,
como num quadro antigo de aquarela,
a cuja evocação meu ser se abrasa,

No deserto jardim, nem mais uma asa
de borboleta o roseiral constela.
E, ante o letreiro triste da janela,
de meus olhos o pranto se extravasa.

Recordo os nossos tímidos segredos...
Morrem lírios, em torno da calçada,
à míngua da carícia de seus dedos.

Tudo passou: o encanto, o amor, a glória...
A história desta casa abandonada
ainda é mais triste do que a minha história!