DESENGANO

Não acho mais encanto no que dizes...
Árvore – ao meu clamor ninguém responde.
Falta-me seiva às íntimas raízes...
Galhos sem folhas e deserta a fronde...

Deixaste-me tristonho e só... Para onde
fugiste, ave de rútilos matizes?
Por tua causa é que minha alma esconde
doridas e profundas cicatrizes...

Agora, voltas sorridente e lesta.
É muito tarde! Morto de cansaço,
recebo-te sem palmas e sem festa.

Já não tenho, minha ave humana e louca,
– nem lindas flores para o teu regaço!
– nem doces frutos para a tua boca!