EU TE ESPERO, AMOR

Eu te espero, Amor.
Por que não vens? por que não vens, querida?
É tão tarde! E eu, tão só, relembro tudo
o que li nos teus olhos de veludo,
no dia da partida...

Eu te espero, Amor.
Volta de novo para o meu retiro!
Volta de novo para o meu carinho...
Ouço-te a voz na voz do mar... Deliro!
Oh! a saudade é um vinho...

Eu te espero, Amor.
E enquanto sofro a ausência de teus olhos,
com os olhos já cansados de esperar,
diante de mim, entre parcéis e abrolhos,
vejo, chorando, o mar.

Eu te espero, Amor.
A tortura do oceano aumenta o mágoa
que me confrange o coração assim.
E eu penso, então, com os olhos rasos d’água:
– Ela gosta de mim!

Eu te espero, Amor.
Olho a noite. Que treva lá por fora!
Nenhuma estrela pelo céu se vê!
E em vão te espero!... Chove: a noite chora...
Por que não vens? por quê?

Eu te espero, Amor.
O negrume da noite dolorida
me enche de espanto e causa-me pavor!
Por que não vens? por que não vens, querida?
Meu amor! meu Amor!