ILUSÃO DA DISTÂNCIA

Vejo, em sangue, o crepúsculo dormente.
Estou só. Que silêncio na avenida!
E à tarde – em pleno coração ferida –
recito uns versos, comovidamente.

Acorda, na minha alma ansiosa e ardente,
uma saudade imensa e dolorida
de alguém que fulge, dentro em minha vida,
com um rútilo esplendor de sol nascente!

Lírio real do meu parque de estesia,
vem de ti a saudade, que angustia
meu coração a debater-se em ânsias...

Pensa em mim... Penso em ti, nesta inquietude!
Aos corações que se amam – sempre ilude
o mistério nevoento das distâncais...