OS ÚLTIMOS GUERREIROS

A Antônio Furtado

A legião verde-chumbo das carnaubeiras
semelha um exército selvagem
de índios de cocar verde
- os últimos guerreiros! -
olhando o horizonte longínquo,
à espera dos inimigos, que virão!

Na hora roxa do crepúsculo,
quando sopra o vento
e as suas palmas flabelam fortemente,
- eu tenho a impressão
de que o inimigo surge e a batalha começa!

Parece que as carnaubeiras,
índios de cocar verde
- os últimos guerreiros! -
sacodem flechas pontiagudas e certeiras
no coração rutilante do Sol.

Todo o horizonte cobre-se de púrpura. . .
E as nuvens caridosas se aproximam
- e vão limpando o sangue do astro morto...