POEMA DAS TUAS MÃOS

Dá-me, ó Toda Pura, as tuas mãos macias,
em que há veias azuis como o nosso destino.
Alvas mãos de legenda e alegorias
que espalham, na quietude dos meus dias,
como lírios reais, seu aroma divino...

As tuas mãos heráldicas e místicas,
feitas para passar as contas dos rosários,
diante da pureza dos sacrários,
no silêncio das mesas eucarísticas!

Mãos de neve e de luar: brancas e luminosas,
cheias de sortilégio e de carinho,
que, na penumbra vã do meu caminho,
acendem astros e sacodem rosas...

Na vida áspera de escolhos,
dentro das minhas sempre quero tê-las,
pois, vendo o céu escuro dos teus olhos,
para mim — os teus dedos são estrelas.

Tuas mãos milagrosas e perfeitas
sugerem-me, ao sol-pôr, sonhos lindos e vãos...
Deixa que te consagre a eleita das eleitas,
de joelhos, a teus pés — adorando estas mãos!