SAMARITANA

Foi apenas um beijo. E a um beijo apenas
toda a minha alma lírica e profana,
ali, por entre as rosas e as verbenas,
ficou cheia de ti, Samaritana!

Nunca mais o esqueci. Mágoas e penas
fugiram-me, depois, na luta insana.
Teu beijo fez-me as horas mais serenas
e a vida mais suave e mais humana.

Inda lhe sinto os cálidos ressábios.
Foi o vinho do amor, que me serviste
no cântaro rosado dos teus lábios...

Faz tanto tempo! E hoje, afinal, sozinho,
daria tudo o que em minha alma existe,
por uma gota só daquele vinho...