SAUDADE

Partes. É breve a viagem. Mas, que importa?
Pois um dia, sem ti, vale cem dias
vividos ante uma paisagem morta.

Sem teus olhos, Amor, sem teu encanto,
são as horas inúteis e vazias,
cheias apenas de tristeza e pranto.

- Voltarei breve! trêmula, disseste.
E eu te espero, há dois dias, revoltado
contra a soalheira do sertão agreste.

Queimas o rosto ao sol. Mas, nos caminhos,
ao ver-te os olhos de um fulgor magoado,
põem-se a cantar todos os passarinhos!

Vais sofrer. Vais chorar. Tenho certeza.
E ao contemplar teu rosto assim de luto
talvez te desconheça a natureza.

Que mudança nas árvores agora!
Já não ofertam mais flores e fruto
à companheira gárrula de outrora!

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Cai a tarde, num triste desencanto.
A vida me parece um mar de abrolhos
na tua ausência, que amargura tanto!

E, de longe, entre lágrimas te vejo.
Meus olhos têm saudade dos teus olhos!
a meu beijo saudade do teu beijo...