TARDE DE EVOCAÇÃO E DE ÂNSIA

Tarde triste e azul de ânsia e de evocação.
Os lírios morrem, docemente, no jardim.
No meu desiludido coração,
anda esta mágoa, que não tem mais fim!

Hora parada.
Silêncio. Folhas mortas. Abandono.
É a nossa longa história amargurada
como um parque sem rosas, pelo outono...

Quanta mágoa em meus olhos doloridos
nesta tarde de lágrimas e de ânsia!
Agita-me os sentidos
a saudade de uns beijos perdidos
que lá ficaram, longe, na distância.

Passa o teu vulto leve na alameda.
Tão de mansinho vais! tão devagar!
E eu me fico a pensar em mãos de seda...
Depois
recito os versos lindos de nós dois
e fecho os olhos – para recordar...