VERSOS COR-DE-ROSA

Sempre que de meu livro te aproximas,
pedes, num riso, trêmula e nervosa:
– Mostra-me, aqui, os versos cor-de-rosa
do teu tesouro rútilo de rimas.

A minha mão te aponta, pressurosa,
versos de amor... E, em febre, tu me animas
com o calor desta boca saborosa
como as uvas no tempo das vindimas.

Nos poemas, ante os quais eu fico mudo
(todo verso de amor tem seu segredo...)
queres , aflita, a explicação de tudo.

De repente, num beijo, estremecemos!
nossos lábios se falam quase a medo...
são versos cor-de-rosa que dizemos!