INQUIETUDE

Ontem, quando passamos pela rua,
a cidade, aos meus olhos, refulgia.
Mas este encanto vinha-me da tua
espiritual e alegre companhia.

A flor de um riso em cada olhar se abria,
dentro da tarde luminosa e nua.
E a cidade sonora tumultua,
numa festa dourada de alegria.

Dizes-me adeus, depois. Eu volto e sigo,
só, pelo mesmo fúlgido caminho
por onde viera a conversar contigo.

Mas - sem ti - tudo é morto... E então me invade
o pavor de perder-te e andar, sozinho,
pelas ruas desertas da cidade.