PÉTALAS

No espaço bem pequenino
de uma trova improvisada
pode caber um destino.
Às vezes, não cabe nada...

Precisa pouco. Palavra.
Tudo é feito num segundo:
Um mundo dentro da quadra
e a quadra dentro do mundo.

Toda trova é como um pássaro
que vai cortando a amplidão:
Nas asas - leva distâncias,
cantigas - no coração.

A sonhar - eis a verdade -
vivo feliz e risonho.
Bem sei que a felicidade
não passa mesmo de sonho...

O afeto que nos invade
não teme separações:
pelo rádio da saudade
falam nossos corações...

- É um pássaro de aço! Quanta
fatuidade, homem mesquinho!
O teu pássaro não canta
nem sabe fazer um ninho...

Quando o velho, a vista turva,
da vida a montanha desce,
com o corpo a sombra se encurva,
que a própria sombra envelhece!

Minha alma tristonha e doente
ante o mar se comoveu:
Ele chora eternamente!
É mais infeliz do que eu...

Vendo o bailado das ondas
na noite clara, sem brumas,
evoco as formas redondas
de teu corpo entre as espumas.

Semelhante ao da rendeira,
querida, é o nosso labor.
Passamos a vida inteira
fazendo a renda do amor.

Não penses que é voz do vento
Que te vem da solidão.
Escuta! é meu pensamento
batendo em teu coração...

No presente e no futuro,
o amor de mãe te acompanhe,
pois este amor é tão puro
que o próprio Deus quis ter mãe.

É um milagre verdadeiro,
que reproduz o dos pães,
dar-se a cada filho, inteiro,
o amor de todas as mães.

Segue a vida em disparada,
vai de promessa em promessa.
Fica a saudade, coitada!
a saudade não tem pressa...

Tu não vês que o meu desejo
é outro oceano que estua.
Por que me negas um beijo
diante do mar e da lua?

Meu amor! antes que partas,
externo-te os meus desejos:
fica com os versos e cartas,
porém devolve os meus beijos.

O mar é amoroso e ardente,
a lua é sentimental.
Diante deles, certamente,
um beijo assim não faz mal...

Neste dia, minha vida
é toda amor, gratidão.
Teu coração, mãe querida,
pulsa no meu coração.

Quando, num gesto mimoso,
- papai! - meu filhinho disse,
foi como um fiat radioso
que um mundo novo me abrisse.

No coração das crianças
Jesus entra de mansinho,
para espalhar esperanças,
para enchê-las de carinhos.

Eu quis escrever um verso
maior do que os versos meus,
até maior que o universo!
e escrevi um nome: Deus.

Amor de mãe! neste mundo
não há outro amor assim
tão belo, forte e profundo,
que amor de mãe não tem fim.

Amor de mãe! dos mistérios
com que nos cerca o Senhor
não há nenhum mais profundo
que o mistério deste amor.

Um grande amor é mais forte
que o bronze, o tempo, o poder.
Vence até a própria morte:
fica em saudade a viver.

Estás a sós no jardim,
sozinho me vejo aqui.
Suspiras... pensas em mim!
Faço versos. Penso em ti!

Esta torre de granito,
que para o alto se projeta,
é como um anseio de infinito
de minha alma de poeta.

No mundo, que o mal invade,
para onde a gente se vira
- vê, em prantos, a Verdade
e, gargalhando, a Mentira.

Quando o mistério da vida
julgo, afinal, entender,
percebo, de alma dorida,
que ainda não sei viver...

O velho mar soberano
chora a meus pés. Penso assim:
Meu coração é um oceano,
chorando dentro de mim...

A saudade que envenena
a vida (sei-o de cor)
é aquela feita de pena,
que é a saudade maior.