POEMA DE SALOMÉ

A Maria Caetana

Quando tu danças, leve, aérea, sutil,
lembras um pensamento que valsasse
encarnado numa pétala de flor...
Sugeres, com os teus meneios harmoniosos,
Lima música em forma de mulher
ou uma mulher divinizada em ritmos.

Há nos teus gestos dúcteis e voláteis
a graça esvoaçante e alada de Ariel
e a imponderabilidade das idéias.
E a magia, o fascínio, o sortilégio
das legendas heráldicas do Sonho
e dos eternos símbolos da Vida.

Quando tu danças, ó Salomé espiritualíssima,
eu tenho a nítida impressão
de ver a tua alma lírica e sutil,
ardendo nas tuas formas,
florindo nos teus dedos,
cantando em tuas mãos!