ANGUSTIADO POEMA DA PÁTRIA

Minha Pátria,
onde estás?
Vejo te em sonho
mais bela do que em realidade és.
Quero te no coração
e foges ao meu afeto.
Ouço te — e não te entendo mais.
Que palavras aprendeste
noutras línguas que não sei?
Tua linguagem não te pertence:
falas por alheias bocas
e dizes o que não trazes
dentro de ti, no teu seio.

Pátria!
já não sei mais cantar te,
em versos feitos com o teu ritmo e o teu sangue
e com as puras e líricas palavras
do meu amor e da minha ânsia.
Onde estás, que não te reconheço?

Volta te para dentro de ti mesma,
procura no recesso de teu ser
a tua forma própria de viver.
Não vês que teu corpo imenso
precisa de uma alma ainda maior?
Busca, no teu passado,
a luz do teu presente.
E manda um raio desta luz para o teu armanhã,
em que desejo rever te e reencontrar te
com os olhos de meus netos
— e dos filhos de meus netos —
novamente moça, e forte, e clara, e bela,
no milagre da tua eterna alvorada.
Porque tu estás no sempre, ó Pátria minha!
Minha Pátria amada!

12 de dezembro de 1963