EPISTOLA FRATERNA

Para escrever te esta carta, meu irmão,
não preciso de palavras, mas de gestos.
Nem de tinta ou de máquina, mas de alma

O mundo vive cheio de vocábulos vazios.
Repleto de mensagens inúteis:
porque nada comunicam,
porque não aproximam os homens,
porque não traduzem, de uns aos outros,
o seu universo de desejos e paixões,
de ansiedades e esperanças.

Jorram termos cabalísticos
das assembléias monstruosas...
Paz, Fé e Amor
deixaram de ser palavras honradas,
palavras autênticas,
palavras de vida eterna.
Quando acaso as empregam,
através da semântica da astúcia,
os embaixadores da morte
transmudam nas em sinais de ódio e de sangue.

Escrevo te esta carta, meu irmão,
para dizer te que não te escrevo,
mas te entendo, porque te amo.