POEMA DAS MASSAS

Que vozes são as vozes que ouço em mim,
na praça pública da minha alma de Poeta,
gritando, protestando, blaterando?
São vozes de alucinados ou revoltados,
vozes de súplica ou de cólera,
vozes de bendição ou maldição?
São vozes de operários que pedem emprego
nas ruas das cidades sem tempo e sem alma...
— de homens que pedem oxigênio
no seio escuro das minas de carvão...
— de infelizes que pedem paz
em todos os quadrantes da terra...
— de párias e famintos que pedem amor,
que pedem lar, que pedem luz, que pedem pão.

Na praça pública da minha alma de Poeta
há milhares, há milhões de homens
clamando, protestando, vociferando,
como ondas em fúria num mar de tempestade.

Senhor! os homens bradam, gritam, apostrofam!
Eu ouço o clamor uníssono das massas.
Elas querem uma palavra de justiça e compreensão,
uma palavra definitiva e universal.
Só Tu poderás atender à voz angustiada e trágica dos homens!

Porque Tu és a palavra que cria e que constrói
além do espaço e do tempo,
dentro na Eternidade: "Amai vos uns aos outros..."
Senhor!
és a resposta que os homens buscam fora de Ti
— e que não está senão em Ti!