RATAPLÃ

Quando o sol ainda dormia
— acordaram e partiram.

No caminho que cresce sempre,
pés e corações
batem desesperados
o rataplã da miséria.
Chora um menino.
Outro menino chora.
E é como se chorassem
milhões de crianças.

Passa uma vaca
muito magra,
muito trôpega,
urrando, urrando...
Todos vão chorando,
uns por dentro,
outros por fora.
Até o cão, às vezes, chora.

O sol, de chapa,
fere o rosto dos retirantes.
A estrada
vai ficando
para trás.
Já está distante,
tão distante!
E, para frente, não tem fim:
sempre adiante!

Não tem fim.
— Sempre adiante!
Não tem fim.
— Sempre adianto!
Não tem fim ...