TAÇA DO TEMPO

A angústia do homem só - e a tarde triste.
- É um encontro de forma e conteúdo.
E, recessivo, o polvo da luxúria
dorme na rocha da ombridade inútil.

Passa um carro de fogo no horizonte,
rodas de brasas, sobre nuvens velhas.
Pássaros timoratos e brilhantes
aninham-se nas árvores vermelhas.

Faustoso e rubro o céu. E, triste, a tarde.
Da tristeza de nobre catafalco
onde um rei dorme para sempre. Sempre?

E toda a angústia do homem só - transborda
do cântaro de barro, que o comporta,
para a taça do tempo e do poente...