VESPERTINA

O céu que nos envolve com seu manto,
o mar que se desfaz em verde pranto
e este rio que vem a chorar tanto,
o céu, o rio, o mar — como são tristes

nesta hora de descor e desalento,
hora em que morre o sol e tomba o vento
nos braços da palmeira, sonolento ...
Quem, alegre, ao crepúsculo, já viste?

Os pássaros escondem se na sombra
do arvoredo soturno; algo os assombra:
é a noite cujos passos no éter se ouvem ...

Tristeza vesperal que o ser constringe!
Serás maior, no areal, diante da Esfinge?
Como serias na alma de Beethoven?