CANTIGAS

Guardo na alma a ressonância
de uma cantiga que ouvi
na minha distante infância
e nunca mais esqueci,

inda recordo a fragrância
de cravo e de bogari
que, na manhã cheia de ânsia,
ao escutá la, senti.

Eram vozes de meninas:
"No céu, no céu"... E eu guardei
essas vozes argentinas:
"Com minha mãe estarei"...

Hoje minha mãe é morta.
Cumpriu se do tempo a lei.
Mas a canção me conforta:
"Com minha mãe estarei"...