CARTA ABERTA

Caro Paulo Bonfim,
na transcendência
desta manhã de nuvens surrealistas,
recordo o nosso encontro desencontro
numa esquina do mundo, em pleno dia.

Passavam homens práticos correndo
sobre o pó, das calçadas e do asfalto,
todos em busca do Bezerro de Ouro,
oculto nalgum ponto do planalto...

Os poetas cantavam rua afora,
no tempo, sobre o tempo, contra o tempo.
E a fervente cidade, ei la sonora.

Ficou no dia azul o canto claro
rompendo, entre dragões, a selva humana,
e vem e vai, de norte a sul, no espaço.