ETERNIDADE

Nunca mais escrevi um grande poema
(grande pela temática afetiva)
em que pusesse a alma, em carne viva,
e mostrasse do amor a face extrema.

Que tivesse por símbolo e por tema
toda aquela volúpia transitiva
egressa da noite íntima — e cativa
no branco labirinto que blasferna

e se projeta em longos horizontes
onde o amor, água ou óleo ou pranto, escorre
transformado do ser em vivas fontes...

Que blasfema e se eleva, e freme, e cria,
no barro quente, — a forma que não morre
porque no tempo colhe o eterno dia...