POESIA

Nem sequer o Natal fez que voltasse
ao lar azul de onde fugira um dia,
sem que deixasse, ao menos, nos meus olhos,
o pó de ouro das asas refulgentes.

Vejo a fugindo pelo céu em chamas
no multicor instante do crepúsculo.
Vejo a vagando sobre as ondas túmidas
Como seios em flor para nutri la...

Ei la a sumir se, ao longe, numa réstia
tímida de luar que vem surgindo
como suspiro último do sol.

Em vão aguardo o seu regresso. Tenho
cabelos brancos, olhos fatigados.
Mas espero por ti, amor, Poesia!