POETA

Afundo no passado como num rio
e saio na praça da matriz de Lavras da Mangabeira,
onde me vejo menino,
mais poeta do que hoje e sempre,
soltando um papagaio de papel de seda
que descreve parábolas multicores no céu azul.

E de repente
vira pássaro
e vai cantando
pousar na flor recém aberta da tarde.