SONETO DO RIO

Ó rio velho e bom da minha infância,
que corres sem parar, que corres sempre
na saudade da criança que ainda vive
desterrada no fundo do meu ser.

Ó meu Rio Salgado, como és doce!
A esta distância, que te azula e amansa,
e que te empresta músicas tão ternas,
aos meus ouvidos, onde escuta a criança.

Teus remoinhos, espumas e baiseiros,
as árvores de guarda em tuas margens,
tuas enchentes avassaladoras ...

Vejo te agora represado no ar.
Rio! nessas conversas, ao crepúsculo ...
Continua a correr... quero chorar...