BERCEUSE

Quisera poder dizer-te em versos, meu filho,
a canção de ninar que nunca morreu dentro de mim.
Aquela berceuse
que as mães deixam para sempre
na alma dos filhos,
como um perfume que tem voz
e canta, em surdina, dentro de nós...

Mas, em vão procuro as notas perdidas
do acalanto materno,
para com elas compor uma canção de embalo
para o teu sono de criança.

Não posso ouvi-las entre as vozes desesperadas do mundo:
os gritos dos homens enfurecidos,
o choro das criancinhas abandonadas
e os bramidos das armas de guerra,
em sombria e flamívoma coorte,
abafando a música da Vida
na sinfonia trágica da Morte.