PEREGRINO

Meus passos vão-me levando a um caminho sem fim:
o horizonte se estende, de lado a lado,
como um abraço infinito do infinito
para o peregrino que avança,
o peregrino que vai em mim.

Vejo árvores carregadas de frutos multicores,
e não tenho desejo de prová-los,
porque minha fome é de frutos eternos.
Vejo campos semeados de flores
e não aspiro o perfume de suas pétalas,
pois o que eu quero sentir
é o aroma das coisas que não passam.

Vejo regatos de águas virgens
que tentam, cantando, a sede dos passantes:
não vou beber da linfa sonora e pura,
porque somente saciaria a minha sede
a água viva das fontes que não secam nunca.

Vou em busca do Absoluto
sou o Peregrino das distâncias...