SONHO DE ÍCARO

Na evanescência da manhã serrana,
minha alma eterifica se, E, num gozo,
abandona se ao lânguido repouso
deste silêncio e paz virgiliana...

E a imaginação voa, soberana,
levada pelo anseio luminoso
de achar, lá entre os astros, áureo pouso,
numa ascensão sublime, sobre humana ...

Imagino me em límpidas devesas
de mundos louros, cheios de surpresas
e de uma luz imaterial ... Por fim,

ao querer voar (que o sonho me deu asas),
chumba me os pés o solo em ciue te abrasas,
ó humanidade vil! E caio em mim.