AMANHÃ

As sombras descem das montanhas
e dominam tudo.

Na treva pesada e espessa
os homens rugem como feras
e as feras falam como homens...

Nos rios que rolam transbordando de sangue
bóiam cadáveres ao léu.
São criancinhas mortas, mães defuntas,
corpos de virgens que não conheceram o pecado
e pecadoras que perderam a virgindade na infância.

Depois,
virá o silêncio imenso e denso...
E, dentro do silêncio total,
só se ouvirá a Mãe do Eterno,
plasmando, em barro novo,
um novo Homem.