BRASIL DOS MEUS AVÓS

Brasil dos meus Avós,
               acorda!
Vem trazer-nos o ardor que rugia e cantava
no peito de teus filhos de outras eras,
de Caxias, Osório e Tiradentes,
dos heróis de ltororó e Tuiuti,
que rolaram no pó, rubros de sangue,
com o coração e o pensamento em Ti!

Brasil dos meus Avós,
ressurge, dentro em nós, nesta hora extrema!
Inspira-nos um cântico,
               marcial e romântico,
que seja como a nova Marselhesa
da pátria de Peri e de lracema.
Faze que cada brasileiro, neste instante,
lembre o velho cocar, o vetusto diadema,
a tremular, medievalescamente,
na fronte heril dos teus guerreiros selvagens,
guerreiros mais humanos e sensíveis _
do que os homens maus do Velho Mundo
que, irrompendo do céu ou do fundo do mar,
matam mulheres, velhos, paralíticos,
tão-só pelo desejo infame de matar...

Brasil dos meus Avós,
dá-nos aquela mesma galhardia
dos teus veros heróis das matas virgens,
que marcavam a hora dos reencontros bélicos,
à plena luz do dia,
e cumpriam a palavra dada,
               como coisa sagrada,
sem dissimulação nem covardia...

Brasil dos meus Avós,
- eu bem o sinto! -
estás dentro de nós!
Daí o ímpeto bravio do meu povo,
este estranho fremir da minha gente,
partindo a defender o Mundo Novo
do bárbaro assassino do Ocidente,
daquele monstro que, sanguissedento e vil,
trucidou, de emboscada, as tuas crianças
- rumorejante enxame de esperanças
que buscava um futuro cor de anil...
Neste momento de ressurreições,
- eu bem o sinto! -
estás dentro de nós, Brasil dos meus Avós,
sincero, puro, másculo, viril,
tu, que és o Brasil de hoje e de sempre,
- o imortal Brasil!