EM LOUVOR DA ENFERMEIRA

Ó homens que lutais, de armas nas mãos,
em defesa, da própria humanidade,
pela vossa liberdade
e a de vossos irmãos!
Vede: alguém está seguindo os vossos passos,
com o mesmo ânimo varonil,
mas leva um coração feito em pedaços,
em lugar de uma espada ou de um fuzil...
É a enfermeira de guerra do Brasil!
É soldado também; quando peleja
não há ninguém que mais valente seja
ou que revele espírito mais forte,
em face do infortúnio
             ou diante da Morte!

Ruja o avião pelo espaço, ameaçador,
haja gritos de angústia ou soluços de dor,
ela, em sua trincheira - o lúgubre hospital -
permanece de pé serenamente,
             heroicamente,
e, se um estilhaço o coração lhe fere,
morre, fitando a imagem de Ana Néri,
             - a heroína imortal!

Seu amor à humanidade é tão profundo,
que não tem inimigos neste mundo... ,
Se é criatura de Deus,
venha de onde vier,
seja quem for,
terá em suas mãos um cântaro de amor.
Mas se o ferido traz, sobre o Deito, estampada,
             em ouro e esmeralda,
a imagem do Brasil - nossa linda Bandeira,
oh! que estranho clarão há no olhar da enfermeira!
Em cada gesto põe um mundo de carinho
e, baixinho,
canta um doce acalanto, docemente,
como a mãe que embala um filho doente,
para fazê-lo adormecer...

E, de dia, não come! e, de noite, não dorme!
enquanto espera (que emoção enorme!)
que ele possa, de novo, combater
pela luz, pelo céu e pela terra
que, um dia, os viu nascer,
a ele - soldado varonil,
e a ela - enfermeira de guerra
            do Brasil.
Anjo! Santa! Heroína! Mãe!
Filha da Caridade, irmã do Amor!
Que por família tens a Humanidade inteira,
ó sublime Enfermeira,
eu beijo as tuas mãos em sinal de louvor!