POEMA DO VENTO

O vento está doido!
o vento está doido!
As árvores não fogem
porque não têm pés. . .
O canavial se deita
com medo do vento.
Ah! se os coqueiros pudessem
galgar as nuvens
e escapar do vento,
abrigados no céu!

E o vento vergasta as plantas,
corre atrás das folhas,
levanta o pó da terra,
assovia nos lajedos. . .
O vento enlouqueceu!
o vento enlouqueceu!
o vento está em pé de guerra!

E o vento que vem do Ocidente?
e o vento que vem do Oriente?
Escuro de pólvora,
úmido de lágrimas,
tinto de sangue,
vento da Desgraça,
vento da Morte!

Os homens que têm pés,
por que não fogem?
Os homens que podem andar,
por que não correm?
Mas o vento vem de todos os lados:
vem do Sul e vem do Norte,
vem do Oriente e do Ocidente,
vem do Atlântico e do Pacífico,
de todas as terras,
de todos os mares. . .

Vento louco! vento homicida!
Traz luto nas asas longas,
traz pranto nos olhos cavos,
traz sangue nas mãos compridas.
E os homens, por que não fogem?

E os homens, por que não correm,
para escapar do vento,
deste vento tão forte,
que vem do Ocidente,
que vem do Oriente,
que vem do Sul
e que vem do Norte?
Vento da Desgraça!
vento da Morte!

Fugir para onde?
fugir para onde?