BALADA DOS SINOS

Sinos da velha Igreja do Coração de Jesus!
Sinos que povoaram de sons a minha, infância,
sinos que me ensinaram a fazer versos...

E quantas vezes! como consolaste
ao vir da escola, com a cabeça cheia
de sonhos, de cantigas e de rimas...

E quantas vezes! — como consolaste
a minha alma ferida, consumida
por um desses imensos dramas pequeninos
de uma pobre criança incompreendida...

Depois, em tardes claras e tranqüilas,
escutei vosso canto como em êxtase,
sob os impulsos matinais do amor...
Adolescente, naquela idade lírica e ansiosa,
em que — sino também — vibrava o coração,
era tudo aos meus olhos cor de rosa
e aos meus ouvidos tudo era canção!

Sinos da velha Igreja do Coração de Jesus!
Os olhos fecho, ouvindo os agora,
para sentir me novamente criança
e reviver as emoções de outrora...

Sinos que anunciais o fim do dia!
sinos que acordais, para a prece, a cidade!
volta com outros a infância,
para alguns a velhice vem chegando...
Pra vós, não existe tempo nem distância.
Sinos! vós tendes sempre a mesma idade!
E despertais, assim, nos vários corações,
como um eco das vossas vibrações,
um canto de esperança ou de saudade...
Repicai! bimbalhai!
sinos da Igreja do Coração de Jesus!
Sinos novos? sinos velhos?
Sempre os mesmos, os mesmos sinos
matutinos,
vespertinos,
argentinos,
cristalinos,
divinos,
sinos,
sinos,
sinos..