CEARÁ

Ceará!
quando eu te sinto integrado no meu ser,
vibrando na minha alma,
palpitando no meu coração,
vivendo na minha vida,
— vejo passar, diante dos meus olhos,
e o teu drama de dor e de heroísmo,
envolto no perfume da índia virgem
e tinto do sangue heróico de Tristão!

Minha terra!
eu me ajoelho, comovidamente,
em face do teu grande sacrifício,
ao contemplar te coroada de espinhos,
braços abertos,
cravejada no Sol — que é a tua cruz.
Mas as tuas chagas reluzem como astros,
porque teu sangue se transforma em luz!

Ceará! estrela candescente riscando a noite da escravidão!
Ceará! berço de todos os sonhos de Liberdade!
Hás de sofrer tanto ainda
e brilhar tanto,
que, um dia,
povos estranhos, em delírio,
verão todo o Brasil, pompeando em glória,
Iluminado pelo teu amor,
incendido pelo teu exemplo,
transfigurado pelo teu martírio!