CHOVE NO CEARÁ

Chove na minha terra!
Chove no Ceará!
Tudo é verde para a volúpia dos olhos
e as águas cantam para gozo dos ouvido.
Há delícia, prazer e encantamento,
há festa para todos os sentidos!

Chove na minha terra!
Chove no Ceará!
O Sol é um amante que se esconde,
para tornar-se mais amado, ainda.
E o cearense, com a sua alma de girassol,
Abençoa a chuva, acaricia a chuva,
mas pensa no Sol, tem saudades do Sol...

Chove na minha terra!
Chove no Ceará!
Os açudes erguem músculos de pedra,
para conter as águas desencarceradas,
             as águas desacorrentadas,
             que saltaram montes,
             Estrangularam árvores,
             vararam grotões, em disparada louca,
             e chegam, enfim, cansadas,
             fatigadas,
             deitando troncos e espuma pela boca...

Agora, aos olhos que choraram tanto,
uma paisagem nova se descerra,
             enquanto
             a chuva rola,
             como um pranto
             que erra
             pela face de um santo
             ou de um herói que triunfou na guerra.
Pela face de alguém
que venceu o destino, vence e vencerá!
Pela tua face, minha terra!
Chove no Ceará!