HINO DE LIBERDADE

O sertão, todo em flor, esplende e cheira.
                 O Inverno é um paisagista delirante
                 Que pinta tudo de verde:
                 florestas, vales e montanhas...

Caboclo romântico e forte!
tema da tua viola
e entoa um hino de louvor à Chuva!
Não ouves um rumor, longínquo e surdo,
como de árvores explodindo de seiva,
como de frutos estalando de maduros?

                 Chegou a tua hora de redenção!

Teu braço não vai mais bater a solo
no trabalho pesado das rodovias.
Teu pão não virá mais da ganância alheia,
mirrado e triste como um fruto podre.
Teus filhos não dormirão mais ao relento,
                 tatuados de bexiga,
                 comidos de úlceras,
                 castigados de maleitas!

Tua mulher
não irá mais viver na casa dos outros,
como um traste qualquer.
Tu não terás mais ponto nem feitor,
nem as imposições do coronel,
nem as ordens do doutor...

Agora, reconcilia-te com a gleba:
cava o solo que anseia pelas sementes
e sonha com o milharal erguendo, ao Sol,
o diadema de ouro das espigas maduras.

Toma da tua viola
e entoa o teu louvor à Chuva,
que a Chuva, para o nordestino,
é a mesma coisa que felicidade...
Canta, caboclo romântico e forte,
o teu hino de Liberdade!