ORÓS

Gaúcho,
que tens nas mãos os destinos da Pátria,
lembra te dos grandes lagos naturais da tua terra,
dos rios que sulcam o teu país natal,
e escuta o clamor do teu irmão do Ceará,
deste caboclo impávido e tenaz
que, um dia, chefiado também por um gaúcho,
aumentou o Brasil, reconquistando o Acre.

Olha o Sol que se ergue sobre as nossas cabeças,
espadanando raios,
comburindo os campos e secando os rios,
embora dando a fantástica ilusão
de festas mágicas de luz
em chamejamentos e cintilações!

Vem ajudar nos a vencer o Sol
que peleja conosco, há séculos, Gaúcho,
uma luta de vida e de morte,
em que não tombamos ainda...
Constrói a barragem de Orós
para que possamos vencer
a batalha do Sol.

Quando as águas do Rio Jaguaribe
dormirem quietas e fartas,
no maior reservatório da América,
— teu nome andará
no fumo das fábricas,
no ruído das embarcações,
no estrépito dos arados e tratores,
no ondular festivo das searas,
na música dos sinos e na voz dos poetas,
— sob os céus amplos
como um hino que irrompesse, em dilúvio de sons,
do ardente coração desta Terra da Luz!